segunda-feira, 19 de maio de 2025

Não pequei em vão.

Chegamos até aqui com a boca cheia de promessas
E os joelhos ralados de tanto pedir a Deus:
“Por favor, que isso dê certo pela tua graça.”

Nós fomos capela, a mais bonita de Roma
Fomos exorcismo, daqueles que acreditam impossivel 
Fomos o vinho na missa e o pecado escondido atrás do púlpito.
Fomos sacrifício,
Fornalha acesa,
e sede num deserto que nem Deus quis molhar.

(e isso — isso foi amar de verdade.)

Mas como tudo no mundo, tudo termina.
Às vezes não em silêncio,
Mas num grito mudo que só quem amou demais escuta.
Tudo cai de um precipício de vinte metros de altura,
Afunda naquela areia que te engana:
Te deixa acreditar que vai segurar,
Mas escorre. sempre escorre.

Ficou o gosto de sal,
De lágrima engolida com reza.
De oração feita demais,
Que nem os santos quiseram atender.
E eu só queria entender:
Por que algo tão bonito tinha que doer tanto?

Você foi o milagre e a maldição.
Uma missa rezada ao contrário.
E mesmo chamuscando a alma,
Voltei. Porque toda dor que vem de você
Ainda parece bênção.

Cada toque teu era uma hóstia envenenada,
E eu comungava sorrindo,
Crente que morrer de amor
Era salvação.
Um amém dito com a boca cheia de sangue.

Você é pecado, definitivamente.
Mas juro por tudo que há de santo em mim:
Eu não pequei em vão, 
E mesmo se tivesse, 
eu seria devoto ao pecado, 

porque sou devoto a você 
e quedas do inferno como a nossa
Nunca são em vão.

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