sexta-feira, 27 de junho de 2025

Imoral

Você levou outro pro nosso lar
como quem quer tudo apagar.
Sem nojo, sem peso, sem cerimônia,
só o cheiro barato da sua vingança.

Seu coração pesou quando ele te tocou?
Sua mente travou quando acordou?
Se reafirma pra tantos, como se soubesse quem é,
mas se esconde da alma suja de café.

Nas madrugadas, vem testar a minha fé,
diz que sou o erro, depois pede meu abraço,
como se o meu peito ainda fosse teu espaço.
Finge ter crescido, finge que mudou,
mas tropeça na carência que nunca cessou.

Bate na porta, cheia de outros sinais,
mas querendo o mesmo colo de tempos atrás.

Nada do que eu faça te limpa da dor,
não dá pra esquecer o que matou o amor.
Você cuspiu no que a gente construiu,
com cada facada que o tempo engoliu.

Isso não é amor..., é só veneno em flor,
um gosto amargo que causa pavor.

E ainda assim, entre crises e drama,
posta frases prontas, se enrola na trama:
"Eu não sou uma pessoa horrível" —
como se isso te deixasse evoluir.

Mas você foge do espelho, foge de si,
com o peito revirado, o sono em pedaço,
lembrando de cada sombra no nosso pedaço.

Você pede por respeito, fala em moral,
mas vive num teatro tão banal,
e cobra carinho da mesma entrega.

Se eu te entregasse tudo de volta,
as plantas do jardim morreriam de forma fatal.
Imoral.

Não somos abrigo, nem teu chão,
somos uma grande dependência,
só restou silêncio e decepção.

E ela pesa mais do que tua ausência.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Você está lá

Toda noite, se chove ou serena,

se o céu se abre ou se acena,

você retorna sem aviso,

como se fosse meu juízo.

Quando não vem, vem no sonho —

teu rosto, claro, medonho.

Por que insiste em ficar?

Nem santos fomos pra rezar.

Repito firme, de forma exata:

“Não sinto falta, não sinto nada.

Nem teu perfume, nem tua farsa,

nem dessa dor que nunca passa.”

Talvez eu creia, ou finja bem,

que tua ausência não me faz refém.

Talvez de tanto repetir,

aprendi a mentir pra mim.

Mas quando a noite vem calada,

com a cama fria, alma cansada,

você retorna devagar,

como se fosse me amar.

Será que pensa, do outro lado,

no amor que foi mal enterrado?

Você diz que sente, que quer,

mas amor, eu sou tudo ou nada,

me quer ou me perde pra sempre, mulher.

Verão Italiano.

O barulho do sino da vila ao longe, o azulejo frio sob os pés descalços, na tarde quente em um verão na Itália. Com teu olhar refletido n...